São tantas lembranças que constrói o que hoje eu sou, pedaços foram arrancados e abandonados no ouvido imenso do passado, castelos foram construídos para um bel prazer que na maioria das vezes validou-se sem nada deixar para o depois.
Com tantos resquícios, fendas e colchetes ainda sei me virar, ainda me encontro inerte ao medo de caminhar para um bem maior e observar que tamanhas perdas e conquistas me enamoraram ao que costumamos chamar de TEMPO.
É Nele que me defino, que me encontro e por fim que me reescrevo. Cada dia uma nova linha, um capitulo que molda uma fase e uma fase que corresponde a uma personalidade. Somando assim, várias almas refém de um único corpo, almas que se aprisionam dentro de mim e desejam diferentes sensações. Uma hora grita ao tradicional e noutra o desejo é o grito mudo que pede apenas para enlouquecer e deixar rolar.
E onde me encontrar nesse próprio EU?
Na loucura, na contradição, no dissertar...
O apanhar de cada alma me libera uma essência que desenvolve um misto e se reflete no “eu quero sempre mais”.
Minhas vontades e prazeres são os reféns de uma mente que não se conforma com a simplicidade de um ser bom, feliz e inerte. Pra mim, eu busco as dúvidas, as emoções, o famoso morrer de amor e continuar vivendo. E se um dia hei de definhar na conseqüência desses atos, que eu definhe em matéria, pois em alma com certeza estarei em festa, pois dos maiores prazeres e gostos, ah... Esses sim eu posso afirmar que não deixei para trás.
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