Deve ter sido a vida, seus dias ou sua
forma intensa de amar. Pode ter sido a criação ou simplesmente a essência, de certo, eu não sabia de
onde vinha tanto poder. Era diferente, seu toque, seus beijos, tudo era diferente.
Ele sabia dar e receber carinho despretensiosamente como ninguém...
Meus olhos agora estavam presos as
lembranças que passei com aquele rapaz, minha vontade procurava saída até sua
imagem e meus pensamentos... Ah, meus pensamentos, estes já não tinham mais
saída, eram por inteiro dele.
Sem meias palavras, se nosso caminho fora
traçado ou não, não me interessa. Se eu já conhecia esse poder de outras vidas
também não me interessa, cansei de falar de amor usando a teoria do impossível,
quero um livro novo. Platão perdeu o sentido.
Era bem assim que eu me sentia quando ele
me desejava, escrevendo um livro novo, sem teorias antigas e sem demasiadas
regras, sem conceitos conhecidos, sem sentido para explicar como tudo isso
passara a acontecer do dia para a noite.
Meu eu queria fazer morada d’baixo daquele
teto, d’baixo daquela intensidade que sem querer aprendeu o caminho de me
conduzir entre a raiva, ciúmes e a imensurável saudades - e que saudades -
em tão pouco tempo. No mais, não quero fazer promessas ou dizer que essa
força roubou tudo que eu resolvera guardar – isso já foi externalizado - . Quero sentir o entorpecer de cada
palavra vivida, de cada sexo, de cada amor, de cada cumplicidade que só ele inventou como me mostrar. E
que com certeza meus olhos, corpo e intenção fazem questão de procurar como
retribuir. Um livro novo, sem necessidade de escrever um final...