Do nada as coisas mudam de rumo, rota, percurso. Do nada, tudo muda. Mesmo quando o tudo era nada, a angústia de quem se prendeu naqueles dias hoje encara a dor do susto no vazio. A dor de ver escorregar o que estava entrelaçado entre os dedos.Sentindo a dor de perder o que nunca teve, sentindo seu corpo recuar do salto de cabeça que tivera dado naquele mar desconhecido, enquanto o outro lado molhava os tornozelos devagar preocupado com resquícios do passado que ainda amargavam seus beijos. Seus atos não usavam o mesmo caminho que o seu corpo quando estávamos juntos... Foi o fim, ou não foi nem o meio ou o começo, apenas foi.. Do mesmo jeito que chegou, veio e foi sem explicar muita coisa, me pediu dez minutos e eu fiquei aqui deitada querendo entregar anos com o gosto amargo da saudade perturbando minhas lembranças. Sonhando em ter sido agraciada com o mistério do sim por pelo menos mais alguns minutos de décadas de segundos...
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